7 de set. de 2014

Maeterlinck Rêgo narra causos polêmicos de seus 43 anos dedicados ao América

Amor sem limites. Paixão incondicional. Sentimento verdadeiro. Expressões não faltam para definir a relação de Maeterlinck Rêgo com o América. O fato é que o médico de 68 anos, natural de Macau, é um símbolo deste clube quase centenário.Entre as tradicionais corridinhas para jogar a famosa “água milagrosa” nos atletas caídos em campo e os procedimentos cirúrgicos mais delicados - passando ainda pelos inúmeros conselhos a dezenas de jogadores -, lá se vão 43 anos de dedicação ao Alvirrubro.    
Não é à toa que ele se tornou o profissional de medicina esportiva há mais tempo em atividade no país. Já foi médico da Seleção Brasileira Sub-20, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva, membro do Conselho Nacional de Desportos e secretário de Esportes de Natal, entre outros cargos. Compõe ainda a Comissão Nacional de Médicos do Futebol, ao lado de nomes como Rodrigo Lasmar e José Luiz Runco - da seleção principal e do Flamengo, respectivamente -, e mais recentemente foi o coordenador médico da capital potiguar na Copa do Mundo.    
Conhecido na imprensa natalense como um sujeito sisudo e até mesmo ranzinza – às vezes chato -, Maeterlinck mostrou seu outro lado ao NOVO JORNAL. Em sua casa, na zona Sul da cidade, a reportagem conheceu o marido da dona Sônia, o pai que inspirou os filhos Marcelo, Márcio e Marcos a seguirem carreira na medicina, e também o avô coruja das pequenas Maria Eduarda e Isadora – sem contar Marcela, deve nascer em novembro.    
À reportagem, o doutor rasgou o verbo. Sem qualquer cerimônia, detonou os jogadores “chinelinho” - aqueles que não perdem a oportunidade de frequentar o departamento médico do clube - e os técnicos incompetentes e sem caráter com quem trabalhou ao longo de todas essas décadas.A começar pelo campeão estadual de 2013 com o Potiguar de Mossoró, Celso Teixeira. “Aquele cara é completamente maluco, um louco desvairado.Não tem respeito por absolutamente ninguém. Caráter? Ele não conhece essa palavra”, disse.    
Júlio Espinosa, Arthurzinho (ex-ABC) e Pintado, que esteve por aqui no ano passado, também não escaparam da sua língua afiada. “Em 1991 eu fique afastado do América durante dez meses por causa do Júlio. Já o Arthurzinho só escalava jogador de empresário. E o Pintado era apenas um distribuidor de coletes, o que eu costumo chamar de ‘treineiro’.O cara foi campeão mundial pelo São Paulo e tudo mais, mas me surpreendeu negativamente como treinador”, comentou.    
Por outro lado, Maeterlinck enaltece o bom trabalho de alguns dos 69 profissionais que empunharam prancheta no América desde a sua chegada ao Alvirrubro, em 1971, então com 25 anos e ainda estudante de medicina. “Da década de 1970 para cá, os melhores técnicos que passaram pelo América foram Sebastião Leônidas, Ferdinando Teixeira, Caiçara e Adílson Batista. Adílson, por exemplo, é um cara que conversa com você em alto nível. Não tem vaidade, valoriza quem trabalha com ele e é muito estudioso.   
Procura entender até de fisiologia”, diz.Os eternos ídolos americanos Souza e Hélcio Jacaré também são cobertos de elogios pelo doutor. “Convivi com centenas de atletas ao longo de todo esse tempo e fiz muitas amizades no futebol. Mas Souza e Hélcio são especiais. Além de terem jogado muita bola, eram pessoas do bem, que sabiam respeitar os outros, verdadeiros craques”.   
Sobre aqueles jogadores que supostamente fazem corpo mole e dão o famoso “migué” para não entrar em campo, o médico foi direto. Garantiu não tolerar esse tipo de comportamento, e inclusive dedurou um dos chinelinhos. Segundo ele, os avanços da medicina vêm dificultando cada vez mais a vida dos enganadores. “O Netinho, meia que ficou no América entre 2012 e 2013, era um deles. Alegava uma lesão no músculo adutor da coxa, mas os exames mostravam que ele tinha totais condições.   
O cara ficou sabendo que seria dispensado, então passou a agir assim. Na época ele recebia R$ 32 mil de salário”, afirma.“Eu sou macaco velho nisso, rapaz. A gente sabe quando o atleta está mesmo machucado. Mas sempre existirão os espertinhos que tentam enganar o DM. Essa malandragem é antiga demais.   
Hoje em dia, então, nem se fala. Antigamente o futebol era romântico, os caras jogavam por amor. Hoje é apenas um negócio. Para se ter uma ideia, depois desses 43 anos no América eu ainda sou obrigado a ouvir jogador reclamar do arroz que veio sem passas e do feijão que não foi batido no liquidificador. Acredite se quiser. É brincadeira...”, reclama. 

Do Novo Jornal - por Tiago Menezes
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1 comentários:

Anônimo disse...

Além de médico, bom caráter, inteligente, e outros adjetivos positivos, um homem de verdade, parabéns por tudo que disse na reportagem, sem medo de nada, esclareceu algumas verdades, e vejam que não o conheço pessoalmente, mas sou um admirador em primeira linha do grande médico conhecido mundialmente.
Abraços
J.Lucio de Azevedo.

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