19 de dez. de 2014

Média de público cai 25% em jogos à noite

 O horário dos jogos foi um fator preponderante para a presença de torcedores nos jogos do Brasileiro em 2014. Levantamento feito pela Folha com as informações de público e renda de todas as partidas da Série A mostra que quanto mais tarde foram os eventos, menores foram as médias de público.
As partidas à tarde, às 17h no domingo (16h antes do horário de verão) e às 16h30 no sábado, foram as que registraram as melhores médias de presença de torcedores nos estádios durante o torneio, com cerca de 20 mil pagantes. Quando os jogos aconteceram à noite, a média apresentou 25% de queda.
Os jogos às quartas e sábados à noite estão entre os que registraram as piores médias de ingressos vendidos, pouco menos de 15 mil por jogo. As partidas no meio de semana que são transmitidas pela TV Globo precisam começar após a exibição da novela.
Dirigentes de clubes admitem que a definição dos horários dos jogos é feita pela Globo, detentora dos direitos de transmissão. A emissora informa que "o calendário do futebol é definido pela CBF e pelas federações em concordância com os clubes".
A Folha apurou que não há nenhum projeto ou estudo da CBF para alterar os horários das partidas. A entidade diz que ela e "a TV Globo decidem em conjunto os horários, respeitadas as questões contratuais".

RENDA
Rebaixado para a Série B do Brasileiro, o Vitória é o time com pior renda entre as 20 equipes que disputaram a Série A em 2014. Arrecadou pouco mais de R$ 1 milhão.
O presidente do clube, Carlos Falcão, reclama do horário dos jogos. "As partidas realizadas às 22h nas quartas são ruins, pois não há meio de transporte público quando o jogo termina", afirma.
"Mas acredito que a Globo, como maior patrocinadora do futebol, tem o direito de colocar as partidas no horário que lhe for mais conveniente", completa o dirigente.
O bicampeão Cruzeiro foi o clube que mais arrecadou com bilheteria no torneio. Os mineiros lucraram mais de R$ 22 milhões dessa forma.
O presidente do clube, Gilvan Tavares acredita que o público nos jogos poderia ser maior se as partidas do torneio fossem realizadas mais cedo. O dirigente, entretanto, conta que não defende alteração no calendário.
"Pelo o que a gente ouve da Globo, as novelas rendem mais audiência que o futebol. Eles pagam bem para ter esse poder de decisão", afirma Tavares.
A última edição do Campeonato Brasileiro registrou a maior bilheteria da história da competição. Foram mais de R$ 200 milhões arrecadados pelos 20 clubes.
O valor, porém, ainda é inferior ao que a Globo paga para as equipes que disputam o torneio. A emissora desembolsa mais de R$ 1 bilhão por temporada.
"Enquanto bilheteria render menos que a TV, a decisão será deles", explica o presidente do Cruzeiro.

Da Folha de São Paulo
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