11 de mai de 2016

Os faturamentos dos cartolas: as 27 federações estaduais arrecadam R$ 144 milhões

Deram a volta olímpica, no último fim de semana, 18 campeões pelo país. Chegam ao fim as contestadas competições estaduais que espremem calendários de clubes que jogam divisões nacionais, de um lado, e deixam seis em cada dez atletas profissionais desempregados por falta de atividade. O motivo para que elas existam – e continuem no formato que têm – está na estrutura federativa do futebol brasileiro. Uma estrutura viciada, mas rentável.
ÉPOCA levantou as receitas das 27 federações estaduais em 2015 nos balanços patrimoniais das entidades. Ao todo, foram arrecadados R$ 144,8 milhões por cartolas que não chutam uma bola, não pagam salários de atletas, nem constroem e mantém estádios, mas detêm o monopólio sobre o futebol. Não existe partida oficial sem o aval de federações, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Fifa.
O dinheiro está concentrado no eixo Rio-São Paulo. As duas federações, FFERJ e FPF, recebem metade de todo o faturamento. Por duas razões. Primeiro que, como as partidas do Paulista e do Carioca têm médias de público e rendas superiores a outros estados, rendem mais para federações. Elas levam 5% das receitas brutas dos clubes com ingressos. Segundo, são estados que, por ter mais público e mais audiência na televisão, conseguem vender placas publicitárias.
Não é o caso da federação mais pobre, a do Amapá. A FAF se sustenta com o repasse financeiro feito pela CBF anualmente. Os R$ 750 mil que recebeu da confederação representam 99% do seu faturamento – só R$ 6,2 mil entraram por outras vias. As federações conseguem dinheiro com anuidades e taxas pagas por clubes para inscrever atletas, doações, convênios, patrocínios. Mas, em geral, a história é sempre a mesma: a verba depositada pela CBF paga a maior parte da conta. Em 2015, a "mãe" mandou R$ 19,5 milhões em mesadas.
É inviável, pelos formatos dos balanços, não padronizados, determinar para onde vai todo o dinheiro. Os documentos apontam despesas "administrativas", "gerais" e com "serviços", sem especificar ou explicar o quê. Fato é que a maior parte vai para funcionários. No Tocantins, a FTF gastou R$ 735 mil do R$ 1,2 milhão que arrecadou com "pessoal", 60% do total. Em Minas Gerais, a FMF empenhou R$ 5,3 milhões dos R$ 9,5 milhões obtidos com salários, ou 56%. Aí é que está o problema. Se as federações usassem o dinheiro que vem da CBF – graças à Seleção Brasileira – para bancar projetos em parcerias com clubes, o modelo federativo poderia funcionar. Só que o dinheiro das federações acaba nas próprias federações.

De: RODRIGO CAPELO/ EEC(Época Esporte Clube)
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1 comentários:

SOLON MAURO disse...

Por isso tem muita gente que não larga o osso, como aqui no RN por exemplo - com esse faturamento e sem nenhuma fiscalização a farra é muito boa.

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