4 de mai de 2018

O ranking de patrimônio dos clubes do Nordeste via balanços oficiais em 2018


Arruda, Cidade Tricolor, Ilha do Retiro, CT Wilson Campos, Frasqueirão, Barradão, Gigante do Agreste, Ninho do Gavião etc. Entre estádios, centros de treinamento e sede sociais, 15 clubes do Nordeste possuem patrimônios físicos milionários. Uma forma segura para conseguir mensurar este cenário é através dos balanços fiscais publicados anualmente. Geralmente, os bens (entre imóveis e móveis) são contabilizados como ativos, no tópico ‘imobilizado’. Aqui, listo os dados divulgados em 2017 – ao menos entre os acessíveis na internet, pois clubes como CSA e Campinense, donos de estádios de menor porte, não exibiram os relatórios.
O ranking, com quatro clubes pernambucanos nas quatro primeiras colocações, foi elaborado em duas linhas. Na primeira, o valor bruto do patrimônio, ou ‘valor de custo’, que considera o investimento dos clubes na aquisição ou construção. A ressalva é necessária porque o ativo exposto anualmente sofre uma depreciação, para estimar as vidas úteis de cada bem, com taxas de redução diferentes: 4% para imóveis, 10% para máquinas, móveis e utensílios e 20% para veículos. Na prática, nenhum clube se desfaz de imóveis (ou ao menos não deveria). Um ponto interessante sobre essa depreciação é o caráter meramente contábil, não relacionado, necessariamente, ao valor real de mercado. Como exemplo disso, o estádio do Santa Cruz.
Em 2017, a comissão patrimonial do tricolor encomendou uma avaliação independente do estádio, sem contar os terrenos do CT Waldomiro Silva, em Beberibe, e CT Ninho das Cobras, na Guabiraba (ambos sem estrutura). Nesta análise particular, o Mundão valeria R$ 274 milhões, num aumento de 330% em relação ao balanço oficial, com a cifra pregada há anos.
Pela falta de atualização, por decisão do próprio clube, o patrimônio coral ficou abaixo do Central – cujo estádio fica num bairro nobre de Caruaru, Maurício de Nassau, sendo avaliado em R$ 88 milhões e costumeiramente sondado por construtoras. Outro time do interior, o Sete de Setembro, aparece no top ten regional por causa do estádio – embora hoje dispute a Série A2 do Campeonato Pernambucano. Saindo do âmbito estadual, o Vitória não reavalia os seus imóveis desde 2006. O Barradão, por exemplo, aparece com o valor congelado de R$ 10,4 milhões, com as obras no CT do leão da barra estipuladas em 3,7 mi.
O patrimônio segundo o valor de custo (entre parênteses, os principais bens)*
1º) R$ 175.421.297 – Sport (Ilha do Retiro e clube, 110 mil m²)
2º) R$ 172.240.502 – Náutico (CT de 49 hectares, Aflitos e clube, 41 mil m²)
3º) R$ 96.400.000 – Central (Lacerdão e terreno)
4º) R$ 63.739.000 – Santa Cruz (Arruda e clube, 58 mil m²)
5º) R$ 38.391.000 – Bahia (CTs Fazendão e Cidade Tricolor)
6º) R$ 23.981.250 – Vitória (Barradão, CT e chácara da base)
7º) R$ 18.005.750 – Sete de Setembro (Gigante do Agreste e terreno)
8º) R$ 14.473.927 – América de Natal (terrenos e imóveis)
9º) R$ 10.386.613 – ABC (Frasqueirão e terreno)
10º) R$ 8.019.862 – Ceará (Cidade Vozão e imóveis)
11º) R$ 3.952.393 – Treze (PV e imóveis)
12º) R$ 3.297.760 – CRB (imóveis)
13º) R$ 2.990.648 – Porto (CT de 10 hectares)
14º) R$ 2.265.639 – Fortaleza (máquinas e benfeitorias em imóveis de terceiros)
15º) R$ 1.744.970 – América do Recife (sede)
* Entre os clubes acima de R$ 1 milhão, considerando os balanços na web entre 2013 e 2018

Considerando o G7 do Nordeste, formado pelos três grandes do Recife, os dois grandes de Salvador e os dois grandes de Fortaleza, chega-se a R$ 484.058.550. No entanto, o trio de ferro pernambucano representa 85% disso, com R$ 411.400.799 – os três possuem estádios centralizados. Já em Salvador o Bahia passou por um processo de incorporação em 2016, quando o patrimônio subiu 10 milhões, após um acordo com a OAS sobre a Cidade Tricolor.
Por outro lado, chama atenção a ausência dos centros de treinamento de Ceará e Fortaleza. No caso do vozão, o clube ainda está no processo de quitação do empreendimento – pagou 56 das 72 parcelas, ou R$ 4,4 mi dos R$ 5,7 mi. O blog considerou o CT no patrimônio do clube – com o valor total do CT na lista acima e o valor já pago na lista abaixo. A situação é incomum, mas não é exclusiva da capital alencarina. Em Pernambuco o Sport aparece à frente nos dois rankings mesmo sem citar o CT de Paratibe em seu patrimônio, pois o utiliza através de aluguel (R$ 2,1 mi por 90 anos) a uma organização ligada ao próprio clube rubro-negro.

O patrimônio segundo a depreciação acumulada até 2017*
1º) R$ 136.164.999 – Sport
2º) R$ 134.489.222 – Náutico
3º) R$ 63.739.000 – Santa Cruz
4º) R$ 37.083.000 – Bahia
5º) R$ 13.168.049 – Vitória
6º) R$ 9.985.781 – ABC
7º) R$ 6.596.598 – Ceará
8º) R$ 2.730.224 – Porto
9º) R$ 1.894.251 – Fortaleza
10º) R$ 1.699.669 – América do Recife
* Entre os clubes acima de R$ 1 milhão, considerando os balanços na web em 2018

Por Cassio Zirpoli

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